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14:43
by alemon
Esta tarde tive uma visão. Nela eu descobri a verdade. A internet foi a causa de toda a minha dor. É uma historia longa que não vou contar. O fato é que não quero mais estar aqui. Como não consigo ser abduzido, vou dar um tempo desse lugar. Já sumi antes, sumo outra vez. Cansei de tentar ouvir o mar em conchas de lesma. Adeus aos amigos. Nos encontramos em outro mundo, de preferência sob o sol.
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10:36
by alemon
Vem ai a depressão de carnaval. Nela eu sou um folião. Vestido de Álvares de Azevedo, vou no bloco da solidão. Mestre num canto da sala, porto a tristeza de estandarte. Ropiando, rodopiando, alegorias de morte. E na tontura da minha loucura, lanço o perfume naquele fantasma, que tinge de falsa alegria, seu abadá de ectoplasma . Eu queria estar lá, podia até estar ali; só não aqui. Isolado, de lado. Impulso injusto. Contra o pulso, um sulco. Choro mudo. Jorra sangue, jorra. Cospe pra fora minha alma agora. Cobre de vermelho minha mortalha. Não quero pena nem migalhas. Não reza por mim, reza por ti. Pede perdão pelo que fez no fim; por ter criado uma ilusão, por ter dito ser sempre assim, por ter mentido uma paixão. Tua festa é mesmo essa, celebra a falsidade, comemora a alienação.
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09:49
by alemon
Pois é seu Zé Mané, o Waldomiro cometeu o crime ANTES do governo. Depois, foi coberto pelo manto sagrado da honestidade confeccionado pelo Pastor DM9.000.000US$ ( que, aliás, vendeu a muito sua igreja para o Obreiro NGparmalat, guru do candidato concorrente e que hj, curiosamente, pode controlar o mercado se oferecendo para fazer milagres de graça para gente que pode muito bem pagar o dízimo) e ficou bonzinho de repente. Muito estranho, considerando que o sr. já morou com o cara. Será que nunca desconfiou daquelas malas pretas que ele levava para o quarto apressadamente? Ou será que o sr. falava enquanto dormia dando lista de nomes de companheiros durante a noite? -Não, chega de choque! Eu entrego todos! Se me deixarem sair daqui eu juro que um dia serei ministro chefe e farei um governo igual ao de vcs! Perseguirei e humilharei meus antigos camaradas! Manterei os juros para os banqueiros! Farei com que os contribuintes paguem nossas campanhas eleitorais! Deixarei morrer de fome esse povinho bunda! - Pois é seu Zé Mané. O medo corrompe tanto quanto o poder. A merda é que agora, quem vai dar TODA a grana pro NG comprar mais algumas igrejas, somos nos contribuintes. Amém.
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09:40
by alemon
Mudando de assunto
-Estamos aqui transmitindo ao vivo para o Canal Comunitário da Net o programa Sul em Ação. Com o apoio de Carmela Artigos 1,99 e da Lancheria do Alfredo, o seu xis na zona norte. Aããã... Neste programa trataremos de um assunto muito grave...muito grave mesmo, que atinge 3%...3%...3%...5%( ! ) da população gaúcha...ããã...a fobia social...o que é então a fobia social? Como suplantar...ããã...superar esse mal que atinge...ããã...5% dos porto-alegrenses? Para falar sobre o assunto, com o apoio de Carmela Artigos 1,99 e da Lancheria do Alfredo, o seu xis na zona norte, convidamos...ããã...Gervázio Gomes de Almeida, o presidente daaaaa... Associação Gaúcha dos Portadores de Fobia Social. Gervázio, prazer tê-lo aqui... Gervázio? Gervázio! Volta aqui...
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09:37
by alemon
Meu "amigo" Quiroga disse que para lutar pelos meus ideais, não devo adotar uma aparência agressiva. Pq no momento atual essa seria a pior estratégia possível, pois atrairia uma atenção negativa e contraproducente para meus planos. Vou seguir o seu conselho. Mas preciso falar que estou impressionado com a quantidade de mails que recebi em concordância com o post anterior. Principalmente de pessoas de fora que lá vivem e sofrem com determinados preconceitos locais. Gente, o que é isso? Não precisam agradecer. Minha intenção não foi "esculachar" com São Paulo e sim "dar a minha real" para alguns tolos. Espero sinceramente que sua estada nessa cidade seja passageira. Para os paulistanos que me xingaram eu digo que entendo sua raiva. Para os imigrantes que caíram no "conto" e assumiram a "mentalidade", esses eu quero se fodam mesmo...pq qualidade de vida não é "comprar picape com película"; mas poder ver o céu azul ainda que através dos vidros transparentes de um fusca...ops, tinha decidido não ser agressivo...Paz.
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18:54
by alemon
Antes que alguém pense que este é um blog do tipo "eu odeio São Paulo", quero dizer que não tenho nada contra o povo paulistano em geral. Devem existir muitos que não são colonizados e que não acreditam na ética protestante do trabalho. O que acho ridículo é essa postura arrogante, injustificada e predominante, que alguns nativos possuem por engolir a fantasia criada pela auto-propaganda disseminada na midia. Esta semana conheci um blog que traduz a essência dessa mentalidade. O guri denominado sr limão, além de imitar o conceito do meu blog com metáfora e tudo, tem um discurso impregnado desse preconceito provinciano que tanto odeio. Em um post sobre os 450 de sua cidade, o cara diz entre outras coisas, que "(...) centenas de artistas de outras cidades e estados se autopromovendo cantando músicas que pouco representam a cidade, em grande parte compostas por outros artistas que não são paulistas. Artistas caducos como a Rita Lee e o Caetano Veloso falando todo tipo de bobagens por aí, e unindo suas carreiras em decadência com o evento na tentativa de vender mais alguns discos (...)", continuando com "(...) colocaram dezenas de " trios elétricos" (tipicamente paulista não ??) (...)" e concluído depois com um "(...) eu, que verdadeiramente amo São Paulo, cada metro quadrado da cidade. Que não trocaria a vida aqui por nada. Que vejo em mim mesmo a identidade pluralista e cosmopolita da cidade (...)".
Pois bem: o conceito de cosmopolita reflete a idéia de cidade universal, que sofre influência dos costumes e mentalidades de todas as diferentes culturas que convivem em um determinado limite geográfico. O contrário do cosmopolitismo é o bairrismo, o provincianismo. Naturalmente cosmopolitas são os imigrantes e não os nascidos em tal lugar. Estes últimos podem ou não absorver tais culturas. São Paulo não poderia fazer uma festa apenas com artistas paulistas pq isso seria muito chato. O perfil universalista da cidade vem de todos aqueles que chegaram de fora e a enriqueceram com sua cultura original. Sem os imigrantes, Sampa não acrescentaria em nada a identidade brasileira. Com sua conduta pós-moderna de copiar/colar, a cidade seria apenas um arremedo norte-americanista, com seus caubóis e sua bandeira de listras horizontais. Vejamos, por exemplo, a música. O rock medíocre produzido na maior cidade do Brasil, diferente do que ocorre em Recife por exemplo, não passa de mera reprodução. Mutantes só deixou de imitar o Gênesis depois dos tropicalistas baianos. Titãs e Ira! nem isso fizeram. O decantado samba paulista é um acaso comercial. Adoniran Barbosa, conhecido como legítimo cronista de sua metrópole, era contra que se mudassem suas letras para o português errado. Como foi vendendo bem, deixou que os Demônios da Garoa fizessem isso e acabou assumindo o personagem das comédias de radio que fazia. Tão distante era ele da realidade lingüística local que não sabia que o povo da região morava NO Jaçanã e não EM Jaçanã. Tudo falso. Nas artes plásticas então, nem se fala. O tão propagandeado modernismo de 22 nunca passou de um movimento burguês de pseudo-intelectuais recém chegados da Europa que copiavam o manifesto futurista de Marinetti e as posturas artísticas cubistas. Eram nacionalistas pq era a moda. Mas viam o Brasil sob uma ótica agora européia. Como um bando de adolescentes mimados revoltados com sua prórpria condição social, gritavam e contestavam para chamar a atenção. Anita fez vários Gauguins até chegar em Nolde. Tarsila era uma Léger cuspida que assumiu o cubismo com uma naturalidade mimética incrível. Di Cavalcanti, carioca de nascença, paulista de cabeca , foi o mais Picasso possível. Copiou sua fase neoclássica e cubista sem nenhuma vergonha. O melhor de todos eles, o independente Volpi, que era um italiano criado desde menino na cidade, foi rejeitado pelos autoproclamados modernos devido suas origens humildes. Na literatura, gritantemente inspirados por Whitmann, Verlaine e Malarmé, os escritores da "semana" queriam impor seus maneirismos importados na base da porrada. Ao invés de criar sua temática, adaptavam. E até hj são louvados por alguns intelectuais "bolsistas parasitas" da USP que, sem isso, não teriam como despejar sua verborréia desvairada sobre nós. Alguém acha que o chato Macunaíma, escrito sob influência da obra de um alemão, independente de sua rica pesquisa folclórica, não tem uma visão preconceituosa do povo brasileiro? O próprio Mario de Andrade escreveu certa vez: estamos célebres, enfim! Nossos livros serão comprados! Ganharemos dinheiro! Seremos lindíssimos! Celebérrimos! (...). Isso diz tudo sobre as razões de sua obra. E o cinema? Insipiente e, mais uma vez, burguês em sua temática. Não posso esquecer da postura política de seus cidadãos que, no passado, votaram reiteradamente nos corruptos Maluf, Quercia e Pitta e depois deturparam um partido dito socialista elegendo uma perua como prefeita, um intelectual playboy como senador e um ex-guerrilheiro dedo-duro como deputado. Poderia continuar por horas citando os concretistas, os pagodeiros, os sertanejos country e muitos outros exemplos da mediocridade criativa paulistana; mas vou parar por aqui pq isso deve ser apenas um post em um blog.
Concluindo e, para encerrar de vez o assunto, os paulistanos muito pouco contribuíram para uma verdadeira identidade nacional. Seus "artistas" são artesãos e seus admiradores meros compradores. Anglófilos por natureza, são mais capazes de ver beleza em automóveis. Portanto, deveriam os mesmos agradecer a Deus por seus bancos e indústrias atraírem tantos imigrantes, estes sim agregando a cidade um verdadeiro perfil cosmopolita. Já deveriam saber que, apesar da inveja que sentem, cariocas e soteropolitanos tem muitos mais motivos para se orgulhar de suas cidades ( verdadeiramente bonitas ) pq ajudaram a construir uma cultura original. O equivocado e contraditório menino lá de cima precisa reconhecer que o baiano Caetano, mesmo decadente, foi o único capaz de traduzir em música a verdade da cidade. E que amar cada metro quadrado dela é o mesmo que sentir afeto por concreto. Pq sem todo esse dinheiro circulando, SP não seria nem escala. Não passaria de uma Curitiba sem flores. Não trocar a cidade por nada é o maior sinal de seu provincianismo e de sua burrice.
Mea culpa, pra não ser totalmente injusto, SP nos deu o Chico...e... tem tb o Chico...
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22:16
by alemon
Vigária
Vigária, menina linda de olhos translúcidos cobertos por cabelos cacheados, achava realmente que tinha um belo coração. Criada em algum lugar da colônia italiana da serra gaúcha, não tinha culpa por essa fé. Seus poucos conhecimentos históricos não lhe faziam ver que descendentes de imigrantes têm suas peculiaridades. Precisavam se adaptar a qualquer custo, mesmo que para isso deixassem de lado sua própria opinião. Acreditavam naquilo que precisavam acreditar e isso se tornava uma verdade pessoal. O primeiro namorado era um apaixonado por quadrinhos, logo, Vig se tornou uma amante dos gibis para agrada-lo. Aos poucos sua coleção tornou-se maior do que a dele. Quando veio estudar na capital, passou a se dizer porto-alegrense pq tinha sido parida em um hospital daqui. Seus novos amigos, gente moderna da cidade grande, eram muito diferentes da gringada. Seu sotaque mudou e seu namorado dançou. Cortou o longo cabelo de evangélica e suas roupas antigas, aquelas camisas de babados e botinas nos pés, aos poucos foram substituídas por camisetas e tênis all-star. Largou de vez a maquiagem. Seu novo namorado foi um musico sujinho que curtia teatro de rua e outra baboseiras semelhantes. Adivinha? Ela passou a curtir essas baboseiras. Comprou ate barraca para acampar no mato, um dos poucos lugares onde o guri podia fumar maconha sem sua mãe desconfiar. Os beagles passaram a ser seu cachorrinho preferido, já que seu sogro tinha uma criação deles. Mutantes virou a banda de sua vida. Então, já no final da faculdade, seu melhor amigo e amiga casaram-se. Como não podia morar em barraca e, para não ficar pra trás, tratou logo de arrumar alguém com quem pudesse morar junto. Procurou, procurou. Quando encontrou uma possibilidade, dispensou o sujinho e juntou-se com o cara. Como a tal melhor amiga era clubber, começou a freqüentar raves e adorar Air. O tempo foi passando e, como muitos gaúchos desempregados, teve que mudar para São Paulo. Foi. Lá, arrumou umas amigas de cabeça vazia, que justificavam o vácuo alegando DDA. Largou o consorte (ou com azar, não sei) e passou a conviver com pessoas de apelidos tipicamente paulistanos, como Patty`s, Danni`s e Billy`s. Vygg logo já estava pronunciando Meu no final de cada frase. Voltou a usar maquiagem.Tornou-se ambiciosa e hj espera encontrar algum burguesinho que o pai preferiu chamar de Junior pq Filho é muito latino para um paulista. Resolvi contar essa historia pq a Vygg me lembra muito uma outra pessoa que tb achei ter um belo coração. Só que dessa pessoa tenho lembranças diárias e de Vigária eu só lembro nas sextas-feiras 13. Talvez eu, igualmente filho de imigrantes, tb só acredite naquilo em que preciso acreditar.
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20:13
by alemon
Mauricio era um contestador. Com sua camisa de mangas enfiada para dentro da calca de pregas, jamais deixava de combinar o cinto com o sapato. Nunca fez tatuagens ou piercings por pura rebeldia. Não entendia como tantos tatuadores conseguiam enganar as pessoas dizendo-lhes que aqueles ideogramas significavam realmente o nome do ocidental do parceiro. Certa vez até tentou ir num salão da moda. Mas no final convenceu a cabeleireira a desistir daqueles cortes moicanos caretas e saiu de lá com um inovador penteadinho pro lado. Não fez curso de web designer nem nunca quis ser Dj. Na hora de fazer vestibular, optou por engenharia pq seus pais queriam que ele fosse diretor de arte em uma agência de propaganda. Tentou convencer sua família com o argumento de que, se fosse de arte, não precisava de diretor. Contudo, seu sonho mesmo era trabalhar em banco. Só ouvia música barroca pq rock era coisa de filhinho de papai. O problema é que essa sua atitude radical gerava solidão. Todos os lugares outrora legais, como o Dado Bier e o Café do Prado, estavam infestados daquelas meninas com sandálias plataforma e jeans um palmo acima do tornozelo e dois abaixo do umbigo. Argh...odiava gente padrão. Não sabia mais o que fazer por não se enquadrar nesse mundinho medíocre. Percebeu que pagava o preço de ser um estranho em sua geração. Mauricio se suicidou antes de ver seu nome na lista dos aprovados no concurso do Banrisul. Nestes novos tempos, não há mais espaço para os diferentes.
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10:55
by alemon
Como todo o amor é brega, Martha Mederios se aplica então...
A DOR QUE DOI MAIS
Martha Medeiros
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
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17:48
by alemon
A Globo passou uma semana tentando nos convencer que São Paulo é a Nova Iorque brasileira. Que piada. Ou eles não conhecem ou tem má fé. São Paulo é Nova Iorque na Paulista e na Faria Lima, virou a esquina é Bombaim. É feia, suja, poluída, com trânsito caótico e cheia de gente financeiramente arrogante. Cidade que acumula riquezas explorando o trabalho de forma desumana e quase sempre ilegal. A grande responsável pela desigual concentração de renda do País, gerada por anos e anos de conchavos políticos realizados pelos barões do café e seus sucessores. Vamos ser realistas. Nesses tempos de tintura e silicone parece que dá pra viver só de aparência. E a Globo colocou 400ml de cada lado em Sampa. Quem não conhece algum migrante que está por lá trabalhando 16hs por dia sem carteira assinada, mediante a promessa de seu chefe seboso, com cabelo escorrido na cara, óculos de sol escorado na testa e carisma de pastor evangélico, de que se ele for bonzinho vai receber um salário mínimo por pouco tempo? -Oq vc dá pra deus receberá em dobro. A chuva dos últimos dias ajudou a delatar a mentira. Quem sabe a emissora carioca, sedenta pela audiência ignara, não compre gôndolas e compare a caipirada a venezianos. Quem sabe Ela, que elege e depõe presidentes ao seu prazer, não consiga outro mandato para a Marta e, conseqüentemente, algum beneficio do governo federal? Hum, é má fé mesmo. O mais triste de tudo isso é que só por causa da grana os Picassos estão lá. Digo por causa da grana pq a maioria dos paulistanos não tem educação suficiente para entender a arte de outra forma que não como um investimento. Ficam ali horas olhando pro quadro, com cara fingida de quem entendeu tudo. Mas pensando apenas em quanto vale aquilo. Presenciei isso na exposição da Tate Gallery, onde vi várias pessoas paradas em frente aos containers de transporte fazendo pose de inteligente. Espero que não tenham goteiras na Oca.
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