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17:22
by alemon
Kissy Danny
Não era só uma bunda gorda vestindo aquelas saias mal cortadas da C&A. Era feia e não acreditada nisso. Paradoxalmente, acreditava que era uma espécie de guru clubber. Assim, sentindo-se linda e guru, seguia uma cruzada eletro-groupie dando para todos os Djs da cidade. Danny tem uma amiga que foi para Londres de excursão. Voltou mostrando a barra da calcinha e chamando a turma de "movimento". Tb era feia. Mas se achava mais intelectual do que guru. Juntas, se esfregam na frente dos Djs numa dança que poderia ser sensual se não parecesse tão falsa. Sabe como é: virou moda fingir de lésbica pra chamar a atenção. Como para a maioria dos homens vale mais a pena dois bagulhinhos lésbicos na cama do que uma belezinha heterossexual voando, esse ritual bizarro quase sempre funcionava pra uma delas, pq, como não eram lésbicas de fato, o pobre Dj nunca levava as duas ao mesmo tempo. A primeira a ser beijada fazia a outra sair de fininho. Infelizmente o Procon não pode ser acionado nestes casos. Aconteceu que na recente Fulltronic, Danny tomou duas balinhas de E, alguma anfetamina, fumou "um" e misturou tudo com muita cerveja (a amiga boicotou a festa dizendo que "o line-up tava muito house", mas a verdade é que só tinha dinheiro para o ingresso). Sozinha na "rave", cheia de luzes dentro do cérebro e com a última música do set anterior ecoando nos ouvidos, viu com alguma distorção um cabeludinho ainda desconhecido mexendo nos toca-discos. Desmaiou depois disso. Quando acordou, no fim da festa e meio tonta, tornou a ver o tal cabeludinho e chegou junto dele com uma certa objetividade desesperada. -Me leva pra casa?- O sujeito ficou surpreso. -Pra tua.- O sujeito aceitou logo. Variação da máxima anterior: melhor um bagulhinho na cama do que nenhum. No caminho, ainda dentro do táxi, ela tomou outra anfetamina e engoliu uma long neck. O cara morava num tipo de república. Foram direto para a cama e treparam o resto da madrugada. Na tarde do domingo, quando Danny acordou, a primeira coisa que viu foi uma guitarra encostada na parede. Guitarra? Vasculhou o ambiente e não tinha nenhum i-mac nele. Em frente à cama, sobre uma mesa velha, um 3 em 1 da Sony...pelo menos era Sony. Num impulso totalmente instintivo, correu pra caixa de frutas onde estavam os discos e puxou qualquer um: Trespass, Gênesis.Tentou outro: Coda, Led Zepellin. -Meu deus! O que foi que eu fiz?- Pegou sua mochila das meninas super-poderosas e saiu correndo. No caminho, passou por um bigodudo parecido com o Lemmy cortando as unhas dos pés no sofá da sala. Porta afora, percebeu que a república ficava no IAPI. Só parou de correr no Higienópolis. Desde os anos 60, o maior engano que uma groupie poderia cometer era dar pro roadie. E Danny cometeu o seu em pleno século XXI. Nem isso a pobre coitada sabe ser.
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13:01
by alemon
Pra entender o pq do meu ódio por esse povinho bunda e minha descrença na humanidade leiam a matéria As loucas baladas dos paulistinhas endinheirados que eu vi no blog da Cris.
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11:32
by alemon
Sonhos
Meu amigo Quiroga disse hoje: você está só porque ninguém conhece a verdadeira natureza de seus sonhos, ou a forma com que pretende realizá-los. Por isso, essa solidão não deve ser um transtorno melancólico, mas a constatação da complexidade de seu caminho.
Sem metáforas, sinto-me feliz pq lentamente volto a lembrar dos meus sonhos noturnos depois de anos de um sono profundo sem rastros de memória.
E o bom de lembrar dos sonhos é que neles ela ainda diz que me ama.
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15:24
by alemon
Penis Expander
Deu até logo para porteiro do bar e seguiu pela Padre Chagas sem olhar para trás. Não tirava da cabeça a garota de vestido verde-água que se jogou para o primeiro cara de celular-prateado-com-visor-azul que viu pela frente. Quando foi que os de luzinha amarela perderam o glamour? As coxas moldadas em academia subiram e desceram as escadas até encontrar seu alvo: um celular pequeno e um chaveirinho BMW sobre a mesa. A grana investida no personal trainner resultou num personal fucker; excelente relação custo-beneficio. Que merda! Todos aqueles spans sobre aumento de pênis haviam lhe convencido de que tinha pau pequeno. Se comprasse um desses não precisaria mais do celular, de uma BM, de um relógio Patek Philippe original...só o Mega Dick e os anabolizantes. Sua vida se tornaria bem mais sustentável. A vingança do grande caralho contra a ostentação econômica...ou não. Diferente da hipócrita maioria, admitia que os meninos cheirando cola na calçada faziam sentir-se bem. Mais rico; menos looser. Achava essa gente necessária para sua auto-estima. As árvores deixavam a rua escura e o impediam de ver o céu nublado. Mas as gotas certamente eram de chuva. Ao chegar no carro sentiu um cutucão nas costas. -Passa os dólar.- Entregou a carteira, o Rolex paraguaio, o painel destacável do som e o celular de luzinha amarela. Rezou pra não morrer. -Entra ai que nós vamu dá um passeio nesse Pejô.- Pôde ver então um segundo garoto de mais ou menos 13 anos. -Não magrão, tu vai no banco de trás.- Conteve a vontade de chorar e entrou. Deu-se conta de que nunca tinha sentado no banco de trás do seu carro. O primeiro foi junto dele enquanto o outro pegou no volante. -Sabe oq? Agora tu vai me fazer um boquete.- Com a arma na nuca, abriu o zíper do sujeito e tirou pra fora um cacete gigantesco. Muito maior do que os que ilustravam os spans. Começou então a chorar.
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12:43
by alemon
Houve um tempo em que o Rio Grande do Sul era o celeiro de fortes personalidade políticas do Brasil. Sempre fomos meio espartanos, precisávamos ser. Durante a revolução de 30, colocamos os fenícios paulistas em seu devido lugarzinho. E por mais de 60 anos nenhum defensor exclusivo dos interesses deste estado ocupou o cargo de Presidente. Nem mesmo o potiguar Café Filho, que dependia de Ademar de Barros para quase tudo. Mesmo com o golpe militar, bancado em grande parte por Eles, nenhum general paulista ocupou o cargo (lembremos que durante algum tempo os militares tentaram uma guinada nacionalista antiamericana, palavrinha que causa pânico em paulistRas). Mas o fato é que a política é uma arte em agonia. O capitalismo não permite mais que homens fortes assumam um lugar de comando para que os governos continuem sempre atrelados ao sistema de forma servil, sem causar surpresas. Depois do derrame cerebral que foi a ditadura, as seqüelas permaneceram na abertura. Após o acidental Sarney, que ainda hj joga para quem paga mais, veio o Collor, que era um carioca de Alagoas "criado" politicamente em sampa. Outro acidente chamado Itamar e entao FHC, outro carioca com formação política em São Paulo. E agora Lula, evidentemente a serviço da elite fenícia como os anteriores. Desde de então, só fomos para o fundo do poço especulativo financeiro. Essa postura predominante de se fingir interessado pelo Pais, enquanto entrega a grana para bancos e empresas estrangeiras, faz com que acreditemos, por exemplo, que a Ambev será uma cervejaria brasileira, não Belga, apesar da maior parte das ações com direito a voto terem ficado por lá. Engano este fortalecido pela mentirosa propaganda ufanista capitaneada pelo sampista honorário Nizan Guanaes, que alguns ainda chamam de gênio, mas que no máximo é um mau caráter espertalhão e arrogante, como está novamente evidenciado no caso do roubo do Zeca Pagodinho. Eu queria muito que o Conar fizesse alguma coisa. Que fossemos como os espanhóis, que diante da mentira do Aznar, o executaram politicamente. Quando vamos punir os nossos mentirosos? Espero que antes do Sedna se aproximar novamente do Sol. Aliás, como não tenho índole separatista e não vejo possibilidade, em vida, de termos um governo com reais projetos de desenvolvimento nacional, vou me embora para Sedna, o tal planeta do Pequeno Príncipe. Lá, pelo menos, sou amigo de um Rei que é responsável por quem cativa. Só não posso esquecer de levar um casaquinho.
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11:48
by alemon
Quando eu e Ariane estávamos em Madrid, nosso apartamento ficava na Calle de Murcia, a duas quadras da Atocha Renfe. Parque Del Retiro de um lado, Museo Reina Sofia do outro. Quase todo dia antes de pegarmos o metro, tomávamos café na Calle de Menendez Álvaro, de onde se podia ver os trens partindo em direção a Sevilla ou qualquer outro lugar. Mas os que iam para Sevilla pareciam mais especiais e brincávamos que todos os trens levavam para lá. Quando vi as imagens do atentado na tv, foi como se ainda estivesse no mesmo lugar, observando a fumaça negra com cheiro de metal queimado e me sentindo impotente diante da barbárie desse mundo em fase de extinção. Bascos ou Árabes, ETA ou Al Quaeda, que diferença faz? A intolerância é uma multinacional. Os desesperados se organizam numa holding de destruição. O argumento dos oprimidos sempre me pareceu convincente. Se eles matam os nossos, nos matamos os deles. O olho por olho do Corão. O revide tardio do espírito de Montezuma diante da brilhante armadura de um conquistador. Será que os civis não tem culpa disso? Se metade mais um dos americanos aprovam a Política Bush não está então legitimada sua anuência com o imperialismo através do louvado conceito da democracia norte-americana? A Espanha é parlamentarista, seu primeiro ministro de direita; se é que isso ainda faz diferença atualmente. Não foram os próprios espanhóis que elegeram seus deputados e colocaram esse babaca servil ali? Para um Aznar em época de eleições seria apropriado acusar o ETA. Para um Bush em campanha seria bom que fosse a Al Quaeda. Nada justifica o terror. Mas algumas coisas o tornam compreensível pq, ao que parece, o mundo vai continuar do mesmo jeito. E no meio de tantos interesses está o jovem estudante com sua pastinha cheia de livros de historia, esperando tranqüilamente o metro que o levará para sua escola, onde já aprendeu que os reis do passado agiam com motivações muito diferentes das de hj em dia. E vai morrer acreditando nisso.
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20:45
by alemon
10 coisas que vc precisa fazer pra se dar bem no Ossip (ou no bar cabeça mais próximo de vc)
1-Dizer que não assiste o Big Brother;
2-Comentar que achou 21 Gramas o melhor filme dos últimos tempos;
3-Afirmar que nunca votou no PT;
4-Ter um amigo Dj e outro que toque numa banda de rock que imite o Weezer;
5-Referir-se ao Sean Penn como se fosse o Marlon Brando;
6-Considerar a Globo Filmes um mal necessário;
7-Chupar pirulito de bolinha;
8-Falar que adora São Paulo mesmo que nunca tenha passado por lá ;
9-Ter um fotolog com titulo em inglês;
10-Cantarolar qualquer coisa do Built to Spill ao entrar.
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11:05
by alemon
Hard Core para Violinos No 2
Emblemático. Histérico um tanto afônico. Até então apático, anímico. Ainda anônimo. Chega! Sozinho, levanto a bandeira sob olhares curiosos das pombas da Praça Tavalera. Uma pomba caga na minha camiseta falsa da Cavalera. Ruuuu, ruuuu. São as risadas de Don Giovanni. - Vão tomar no cu todas vocês! - As pombas não cagam no cara de Armani. Bichinho burguês. Fico distraído. Uma cigana pega minha mão. - Quer ler a sorte? - Atravesso o mastro em seu pulmão. - Quer ter com a morte? - Sangrando muito pelo nariz, suas últimas palavras: eu vejo aqui um futuro feliz...
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11:01
by alemon
Hard Core para Violinos No 1
Como um certo concerto de três notas matemáticas, meu pensamentos se repetem em seqüências ora serenas, ora agitadas. Como seda sintética, sinto uma maciez antialérgica. Velcro nos lençóis. Garras afiadas sobre superfície macia. Quantas vezes o telefone vai tocar até entenderem que não estou em casa? Pára! Pára! Parou. Que lindo dia, que sol brilhante! Sair pra quê? Prefiro a segura sombra da caverna até o anoitecer. Tá bom: chá de gengibre, cafeína e proteína. Uh! Essa coisinha que estou sentindo parece a vida. O corredor é curto, não dá pra correr muito. Tô tirando o synteco do parquê. Olha aquela graminha reciclável lá embaixo; parece tão convidativa. Podia andar ali como Godzila dando um passeio em Tókio. No dia seguinte as coisas estariam do mesmo jeito. Caminhar descalço, abraçar uma árvore. Cadê meu machado? Talvez algum dano permanente mude o meu dia. Acho que vou colocar aquelas redes nas janelas. Acho que preciso comprar um cachorro. Qual raça está na moda agora? Golden Retrevier? Muito grande. Maltês? Muito viado. Andar de elevador já é um bom passeio. Preciso de um parque. Essa ridícula linguagem reducionista que faz com que chamem o Ibirapuera de Ibira esta me contagiando. Vou na Redença, passar numa padoca, comer um croá. Vou na cozi, pegar uma gelê, fazer uma torrá. O THC do gengibre consumiu meu neurônios. Enquanto isso o sol segue sua trajetória de arremesso de martelo. Pq a droga do telefone não toca?
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15:11
by alemon
Acho que foi em 1987 que o professor e jornalista Daniel Herz publicou um polêmico e esclarecedor livro chamado A História Secreta da Rede Globo, revelando as podres manobras do "já foi tarde" Roberto Marinho na construção do seu império. Nele o autor relata, com vasta documentação, o gangsterismo praticado na então implantação e posterior legalização das atividades da emissora no pais. Pra quem ainda não sabe, em 1962, apesar da proibição constitucional, a Globo firmou um contrato de associação com o grupo Time-Life para uma injeção de milhões de dólares tendo como objetivo a expansão nacional da emissora. Essa ilegalidade durou até 1968, quando o presidente Costa e Silva, contrariando a decisão de uma CPI que puniu brandamente a rede, tornou oficial as suas operações mediante o distrato com o grupo internacional. Nesta altura a Globo já tinha recebido dinheiro suficiente para tornar-se super-poderosa e tecnologicamente moderna. Tudo bem, isso não é mais novidade. Assim como tb não é novidade o envolvimento na fraude eleitoral nas eleições de 82 (entre outras), na obscura quebra de contrato de retransmissão da Tv Aratu em beneficio da Tv Bahia de ACM (entre outras), no caso NEC ( do mesmo ACM ) e no impeachment do Collor, depois dele ter negado um empréstimo de milhões de reais através do BNDS para a empresa a beira de uma de suas falências. Decepcionante é que, apesar de tudo isso, ainda não aprendemos a rejeitar a forma como agem estes manipuladores de opinião no nosso pais. Não fazemos panelaço e somente vamos para as ruas quando Ela manda. Este ano, depois que um grupo de três credores internacionais da Holding Globopar entrou com um pedido de falência involuntária na corte dos EUA reclamando uma dívida de US$ 94 milhões, a emissora voltou a pedir dinheiro do governo para saldar suas dividas, como já fizera e recebera no período FHC para outra, esta da Globo Cabo. Pois bem, diante da demorada na decisão do governo Lula em realizar tal empréstimo, e mais uma vez para demonstrar o seu poder ameaçador, a revista Época, pertencente ao grupo, publica matéria de capa sobre um tal Waldomiro Diniz envolvido em um caso de corrupção que tinha ocorrido dois anos antes, guardado na gaveta para uma hora mais necessária. Concomitantemente, encomenda várias pesquisas de opinião mostrando a queda da popularidade do governo. Mas não do presidente fantoche Lula, que em última instância, pode muito bem decretar qualquer coisa para se manter popular. Segunda próxima, depois de amanhã, haverá uma reunião do governo para decidir se o BNDS deve ou não aumentar a nossa dívida pagando a dívida deles. O que vc acha que vai acontecer?
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18:36
by alemon
Não precisa ser profeta pra saber que esta Era esta acabando. Vivemos um tempo de mentira explicita. Um tempo em que parecer faz mais sentido do que ser. A menina que coloca silicone mente que é gostosa. O guri que usa viagra mente que é fodão. O Audi A3 te disfarça de rico. A Ecosport se faz de off-road. O Romero Britto finge que é arte, a Maria Rita que é genética . A Globo diz que São Paulo é moderna. A Record que corrupção é Fé. O PT alega que é esquerda, o ACM que é PT. E pra quem acha que talento é tudo, que tal ser um talentoso desempregado? Ou ninguém percebeu que existe gente demais com MBA nesse mundo. Mas a era da propaganda está no fim. Ela se autodestrói. Pq gerar esse consumismo alienado não se sustenta sem grana, e grana não há para todos, para tudo que querem te vender. A massa que tanto foi forçada a desejar através de recursos prosaicos como inveja ou tesão - eu tenho, vc não tem - em breve vai ter que tomar, e quando tomar, vai te fazer ver que a verdade esta no feijão, no barraco, na brasília amarela. Que padrão de beleza é apenas ter todos os dentes. Quero viver pra ver o povão invadindo os shoppings, saqueando a Louis Vuiton, recheando de culotes uma legitima calça Ellus. Quero muito ver sutiã da Victorias Secret em peito pequeno. Tudo bem, os ricos vão fugir, pegar seus helicópteros e mudar para alguma montanha cercada de gárgulas de ferro eletrificados. Mas essa classe média bunda que me cerca, que vive como lacaio usando palavras em inglês e achando que isso lhes distingue, essa vai se foder. E eu vou rir muito quando estiver sendo massacrado em minha casa por algum traficante que o Fernando Meirelles decidiu glamourizar em troca de alguns kilos de coca. O capitalismo nos engole. Mas vai ter congestão. Não esqueça que o Haiti é aqui.
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16:59
by alemon
Depois do carnaval, resta a estranha vida da gente. Diazepan. Nicotina. Uma hora tem tudo, na outra nada. Mais diazepan, mais nicotina. Se o fumo causa impotência, é só não fazer amor. E o que vc é capaz de fazer por amor? Do que é capaz por não te-lo? É capaz de perde-lo. Finge de morto? Vira de barriga para cima? Totalmente indefeso. Mente, briga, xinga? Enfia a cabeça na areia? Se ajoelha? Nada? Nada. Morre na praia, sem ar. Pulmão cheio d`água. Corpo 100% água. Incha, explode, murcha. Efeito sanfona, coração enche de estrias. Planta sementes ali. Mas nada brota além de um cactus cheio de espinhos. Droga sintética para curar a droga natural. Felicidade artificial não me contagia. Muito mais diazepan, segunda carteira de marlboro. O câncer vem de uma célula que quer ser eterna. O corpo quer morrer. Então a célula imortal vai destruindo tudo em volta. Highlander. Eu não tenho câncer, nada em mim quer ser pra sempre. Então eu minto, brigo, xingo. Tento destruir tudo ao meu redor pra ver se consigo algo eterno. Sou de câncer. Sou metástase. Hitler, Pol Pot: tenho de matar seis milhões para entrar para historia. Mas enquanto não consigo, sou apenas um cara patético.
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